terça-feira, 15 de novembro de 2016

4. Treinamento Precoce e os Problemas às Crianças

.... DICAS DE CORRIDA POR QUEM ENTENDE DE CORRIDAS

   O esporte vem ocupando um espaço cada vez maior na vida das pessoas, especialmente das crianças e dos jovens. A influência dos eventos esportivos divulgados com grande frequência pelos meios de comunicação, a identificação com ídolos, a pressão dos pais e dos amigos e a esperança de obter sucesso e status fazem com que um número crescente de crianças inicie sua prática cada vez mais cedo. Treinar, competir, vencer, prêmios, são palavras comuns no cotidiano dos jovens que praticam esporte ou que o vislumbram como grande possibilidade de sucesso (DE ROSE JR, 2002).

    Quando temos toda uma orientação voltada para a busca precoce de resultados imediatos vemos cada vez mais distante uma iniciação esportiva adequada. O problema agrava-se quando sabemos que essa busca pela especialização precoce tende a encontrar mais adeptos no meio esportivo. Por quê? Por que a especialização precoce permite resultados a curto prazo. Significa dizer que o Técnico que incluir métodos de treinamentos especializados obterá melhores resultados (a curto prazo) do que o que priorizar uma iniciação esportiva comprometida com a construção do conhecimento relativo às particularidades do esporte, com a promoção e a incorporação de valores e idéias indispensáveis ao desenvolvimento humano, valorizando a criança enquanto um ser criativo, espontâneo, em formação. Desvincular o processo de iniciação do treinamento precoce e da excessiva competitividade, poderá significar não conquistar medalhas. Assim, vemos alimentados e fomentados os desejos dos imediatistas (SANTANA, 2001). 

    Levando-se em consideração os estágios de desenvolvimento motor de uma criança e relacionando-os com a prática esportiva competitiva, observa-se que, na maioria das vezes, ela é levada a uma prática esportiva específica muito antes de ter cumprido etapas importantes na solidificação esportiva. Não são raras as vezes em que as crianças e jovens são colocados diante de situações complexas antes de atingir estágios básicos de desenvolvimento motor, exigindo-se comportamentos que não são adequados à sua capacidade de realização (DE ROSE JR, 2002).

    É inaceitável o esporte entrar na vida de uma criança apenas com os referencias de competição e rendimento, fazendo-a persegui-los a qualquer preço. Fomentar entre crianças a idéia de que só a vitória é importante, é incoerente. A criança precisa perceber a importância de saber lidar com as diferenças, e quem aprende que só a vitória tem valor, poderá não saber lidar com as nuanças, valorizar a busca, o esforço próprio, respeitar o outro, interagir, cooperar, rever pontos de vista (SANTANA, 2001).

  Toda competição exige preparação e treinamento e isso pode ocorrer precocemente, causando diversos problemas à criança. Uma série de estudos aponta os efeitos do treinamento precoce no aparelho locomotor e cardiorespiratório, na coluna vertebral, no crescimento e na maturação sexual (DE ROSE JR, 2002).

    São extensas as citações dos especialistas que insistem nas consequências nefastas para a saúde das crianças e jovens, quando os treinos são realizados pensando só no resultado esportivo e não pensando no desenvolvimento harmônico da criança, do jovem. Este indivíduo  pode ser um grande atleta, mas precocemente pode ser uma pessoa adulta com grandes frustações pessoais e profissionais.
 
  Para que esta importante etapa de desenvolvimento das crianças e jovens seja verdadeiramente proveitosa para toda a vida recomendo:

1. Realizar as atividades físicas respeitando as fases sensíveis do desenvolvimento motor;

2. Jamais copiar os treinos de adultos, lembrar que a criança, não é um adulto em “miniatura”, ela tem seus interesses e necessidades próprios da idade;

3. Brincar, brincar e brincar de novo esse é o caminho, com uma condição: que a “brincadeira” tenha objetivos bem definidos a partir do ponto de vista instrutivo – educativo;

4. As atividades devem rigorosamente ser orientadas por um profissional de educação física, consciente com o seu papel no desenvolvimento educativo-motor de crianças e jovens.  Não basta ser apenas ser graduado;

5. Deve existir um programa de aulas com metas e objetivos que jamais podem ser relacionados com a “vitória” ou “chegar em 1º lugar” e sim com crescimento pessoal. O importante é a evolução desde o início do programa. Melhoria no desenvolvimento como conquista  pessoal e degrau para o próximo objetivo;

6. Estimular em todo momento o trabalho em equipe, como princípio mais importante, onde todos contribuem de maneira direta no resultado da equipe;

7. Motivar a escala de valores: respeito, vontade, disciplina, ordem, comprometimento, responsabilidade e criatividade. 

8. Em algum momento, motivar as crianças pra que criem suas próprias brincadeiras, sempre lembrando a escala de valores.

Abraços.

Lázaro.


*** Continue acompanhando nossas dicas simples e diretas de corrida....




DE ROSE JR, Dante. A criança, o jovem e a competição esportiva: considerações gerais. In: DE ROSE JR, Dante (organizador). Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002.

SANTANA, Wilton C. Futsal: metodologia da participação. Londrina: Lido, 2001.

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