sexta-feira, 19 de março de 2004

Para Atenas, via Bruxelas


As irregularidades da pista de Cross Country da capital belga, onde será disputada neste final de semana a Copa do Mundo dessa modalidade do atletismo, pode ser o início do caminho do corredor Claudir Rodrigues (UCS/Natufarma) na Europa rumo aos Jogos de Atenas. Além da importância inerente da prova, a corrida servirá como um bom teste para o atleta, que enfrentará a Maratona de Roterdã, dia 4 de abril. Na disputa na Holanda, ele irá atrás do índice para as Olimpíadas.
Rodrigues, santa-mariense que compete pela universidade caxiense sob a supervisão do técnico cubano Lázaro Velazquez, conquistou a vaga para a Copa do Mundo com o título na Copa do Brasil de Cross Country e o terceiro lugar no Sul-Americano da modalidade. Ele será o único brasileiro que correrá a distância de 12 quilômetros (haverá outros representantes do país nos oito e nos quatro quilômetros).
Pela primeira vez em um evento de Cross Country desse nível, Rodrigues terá como principal objetivo seguir o ritmo dos líderes para fazer uma boa prova. Sem cobranças, mesmo acreditando estar bem preparado para enfrentar o desafio.
O maior gás ele deixará reservado mesmo para a maratona. O corredor quer se manter afastado dos problemas, como os que o impediram de participar da Maratona de São Paulo do ano passado, na qual tentaria lugar para o Pan-Americano de Santo Domingo.
A escolha de Roterdã para a busca pelo índice se deve principalmente às condições climáticas mais favoráveis para a concretização do tempo necessário. Mas atingi-lo será apenas meio caminho andado para Atenas.
- São apenas três vagas para a equipe brasileira e existem seis ou sete atletas em condições de fazer o tempo - ressalta Rodrigues.

O índice, ou tempo máximo necessário para maratonistas tentarem vaga nas Olimpíadas, é de duas horas e 15 minutos (para correr os 42,195 quilômetros). Mas, segundo Claudir Rodrigues, entre os brasileiros, diante da grande concorrência, o mais garantido é completar o percurso em três minutos a menos.
- Se eu fizer em duas horas e 13 minutos já estará ótimo. Meu melhor tempo é de duas e 17 (conquistado na Maratona de Porto Alegre, em 2002). Baixar quatro minutos é bastante. Entretanto, correndo ao lado de africanos e europeus, que puxam bastante o ritmo, as chances melhoram.

Jornal Pioneiro
19/03/2004
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&id=544009&action=noticiasImpressa§ion=Boa+Not%EDcia