Caxias do Sul - Segunda e terça-feira podem ser os dias que mudarão de vez a vida de alguns dos alunos das redes municipal, estadual e particular que disputam, no Complexo Esportivo do Sesi, a edição 2005 dos Jogos Escolares Municipais. São 730 estudantes de 29 instituições de ensino inscritos em 15 modalidades, em três categorias - mirim, infantil e juvenil -, nos dois naipes (masculino e feminino). Tudo isso com regras oficiais da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), organismo normativo com autoridade e importância equivalentes às da Fifa no futebol e da FIA no automobilismo.
Na competição, os alunos de escolas públicas classificados em primeiro lugar nas provas (com exceção dos lançamentos de disco e dardo) estarão automaticamente garantidos na fase Estadual dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul (Jergs), cuja final está programada também para Caxias, nos dias 23 e 24 de setembro.
E não é só isso. Entre os cerca de 300 espectadores aguardados pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), organizadora do evento, estarão os solenes representantes de uma das categorias de personagens já clássicos do futebol, e que agora revelam sua influência também no atletismo, em busca de novos telentos: os "olheiros".
- Quando: segunda e terça-feira (29 e 30/8)
- Horário: das 9h às 17h
- Local: Complexo Esportivo do Sesi
- Reserva técnica: em caso de chuva, a Smel tem preservadas as datas de 8 e 9 de setembro, mas recomenda-se que nessa situação as escolas entrem em contato com a organização do torneio pelos telefones (54) 218.6182 e 218.6113
- Ingresso: acesso aberto ao público
Na competição, os alunos de escolas públicas classificados em primeiro lugar nas provas (com exceção dos lançamentos de disco e dardo) estarão automaticamente garantidos na fase Estadual dos Jogos Escolares do Rio Grande do Sul (Jergs), cuja final está programada também para Caxias, nos dias 23 e 24 de setembro.
E não é só isso. Entre os cerca de 300 espectadores aguardados pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), organizadora do evento, estarão os solenes representantes de uma das categorias de personagens já clássicos do futebol, e que agora revelam sua influência também no atletismo, em busca de novos telentos: os "olheiros".
- Quando: segunda e terça-feira (29 e 30/8)
- Horário: das 9h às 17h
- Local: Complexo Esportivo do Sesi
- Reserva técnica: em caso de chuva, a Smel tem preservadas as datas de 8 e 9 de setembro, mas recomenda-se que nessa situação as escolas entrem em contato com a organização do torneio pelos telefones (54) 218.6182 e 218.6113
- Ingresso: acesso aberto ao público
Gisiane Bertoni
- Idade: 19 anos (categoria juvenil)
- Altura: 1m62cm
- Peso: 50kg
- Na equipe: há seis anos
- Títulos: campeã brasileira juvenil nos 800m (2004), campeã na categoria menor dos Jogos da Juventude nos 800m (2002), vice-campeã brasileira categoria menor nos 800m (2002), terceira colocada no sul-americano categoria menor nos 800m (2002), finalista do Troféu Brasil categoria adulto (2004)
Neste sábado ao meio-dia, na pista do Sesi, Gisiane, aluna da Escola Municipal João XXIII, enfrenta o desafio de uma tomada de tempo exclusiva, com medição oficial da Federação Gaúcha de Atletismo, ao lado de Camila Souza, atleta da Ulbra. Se baixar em dois segundos seu tempo atual de 2m15s nos 800m, Gisiane encaminha a habilitação para uma das duas vagas da seleção brasileira juvenil que vai ao Sul-Americano de Rosário, na Argentina, em setembro.
A atleta foi descoberta pelo técnico Lázaro Velázquez nos Jogos Escolares: largou na prova dos 600m com aquilo que os conhecedores entendem por "corridinha para não chegar" e nos últimos 150 metros impôs uma arrancada devastadora para vencer - o chamado "sprint".
- Infelizmente, esse é meu último ano como juvenil e chegou o momento de decidir o futuro da minha carreira. Estou representando bem Caxias do Sul em todas as competições e ainda tenho o apoio da universidade. Mas, se não conseguir uma melhor condição de patrocínio, a situação se complica - preocupa-se Gisiane, que defende-se no apoio recebido da massoterapeuta Maria Luiza Elias e do avô, Walmor.
Patrick Machado
- Idade: 16 anos (categoria menor)
- Altura: 1m72cm
- Peso: 58kg
- Na equipe: há dois anos e meio
- Títulos: vice-campeão gaúcho juvenil nos 800m (2005), vice-campeão gaúcho menor nos 800m (2004) e vice-campeão menor nos 800m nos Jogos da Juventude (2005)
Patrick chegou ao projeto olímpico da universidade pela mão da irmã, Priscila, colega da mesma escola. Conta que resolveu se engajar nas competições como alternativa à outra atividade que desenvolvia nas tardes livres de estudo: %26quot;ficar em casa fazendo nada%26quot;. O técnico Lázaro Velázquez lembra que o garoto impressionou logo no primeiro teste, em competição no município de Júlio de Castilhos, quando, sem qualquer preparação anterior, derrotou um dos melhores integrantes do elenco da UCS. A passada larga também ajudou, claro. Patrick agradece o gosto pelo esporte herdado do avô, Darci, ex-goleiro.
- Mudou tudo na nossa vida. O cara, além de ter uma esperança para o futuro, seguir a vida de atleta, ainda pode se desenvolver. No atletismo, a gente tem todas as condições de melhorar - comenta Patrick, fã de um dos maiores fundistas brasileiros: Joaquim Cruz.
Priscila de Lima
- Idade: 15 anos (categoria mirim)
- Altura: 1m69cm
- Peso: 59kg
- Na equipe: há dois anos e meio
- Títulos: campeã gaúcha nos 200m, vice-campeã gaúcha nos revezamentos 4x100m e 4x400m e terceira colocada nos 400m. Eleita atleta revelação do Estadual de Atletismo em São Leopoldo
(todas as conquistas obtidas na categoria juvenil, contra atletas de até 19 anos, em 2005).
Matriculada na Escola Municipal Castelo Branco, Priscila atribui ao fato de "ser meio espoletinha na aula de Educação Física" o incentivo de uma professora para que se inscrevesse nos Jogos Escolares. Foi correr uma prova de fundo (longa distância). Saiu em disparada no início, liderando a prova com folga até a metade, quando perdeu o fôlego e ficou para trás. Chegou em sétimo lugar, quase caindo. Para Lázaro Velázquez, técnico de Atletismo da UCS, foi um ótimo desempenho: guindou a atleta para sua equipe profissional e passou a inscrevê-la em provas de curta distância.
- O esporte muda tudo na nossa vida. Eu quero continuar até ficar 'veinha'. Na escola, nos olham de um jeito meio diferente. Alguns nem imaginam as nossas três horas diárias de treino, de segunda a sábado, quando não estamos em período de competição - sorri Priscila, que ainda teve outro mérito: trouxe o irmão para o time.

Ouro e diplomas
- Esta é a melhor oportunidade para conferir o desempenho de um atleta em potencial. Só ficar olhando estatística não adianta. O olheiro tem que estar no local e descobrir quem está lá para brincar e quem está lá para ganhar - ensina Lázaro Velázquez, técnico de atletismo e coordenador do Projeto UCS Olimpíadas, um dos que estarão na arquibancada.
Velázquez já adverte que espontaneidade é o melhor caminho:
- Ganhar ou perder a prova, às vezes, não é tão importante quanto a maneira como isso acontece. E também não adianta ficar tentando me impressionar que enganador eu não quero - brinca, aludindo às qualidades que realmente pesam nos seus critérios de avaliação: ambição pela vitória e postura durante a disputa.
O prêmio, assinala o treinador, vai um pouco além do pódio ou da derrota de um dia:
- O esporte é provavelmente o único caminho que te permite sair de um chão de favela ou do meio do mato, como eu (da província cubana de Matanzas), para construir uma carreira de destaque e abrir os horizontes. Para mim, vale muito mais ver a gurizada formada, em qualquer especialidade, do que uma medalha olímpica - observa Velázquez.
Ele usa os três jovens no quadro ao lado como exemplos dessa situação. Todos tinham em comum a origem humilde e apenas a "pilha da profe" para competir, como relatou um deles.
Na seqüência, foram descobertos por Velazquez durante a disputa de Jogos Escolares Municipais, como os que começam agora. Dali, saíram direto para a equipe profissional de atletas da UCS, com evidentes vantagens para suas vidas.
Jornal Pioneiro
27 e 28 de agosto de 2005
Gabriel de Aguiar Izidoro
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&id=938545&action=noticiasImpressa§ion=Esportes
Velázquez já adverte que espontaneidade é o melhor caminho:
- Ganhar ou perder a prova, às vezes, não é tão importante quanto a maneira como isso acontece. E também não adianta ficar tentando me impressionar que enganador eu não quero - brinca, aludindo às qualidades que realmente pesam nos seus critérios de avaliação: ambição pela vitória e postura durante a disputa.
O prêmio, assinala o treinador, vai um pouco além do pódio ou da derrota de um dia:
- O esporte é provavelmente o único caminho que te permite sair de um chão de favela ou do meio do mato, como eu (da província cubana de Matanzas), para construir uma carreira de destaque e abrir os horizontes. Para mim, vale muito mais ver a gurizada formada, em qualquer especialidade, do que uma medalha olímpica - observa Velázquez.
Ele usa os três jovens no quadro ao lado como exemplos dessa situação. Todos tinham em comum a origem humilde e apenas a "pilha da profe" para competir, como relatou um deles.
Na seqüência, foram descobertos por Velazquez durante a disputa de Jogos Escolares Municipais, como os que começam agora. Dali, saíram direto para a equipe profissional de atletas da UCS, com evidentes vantagens para suas vidas.
Jornal Pioneiro
27 e 28 de agosto de 2005
Gabriel de Aguiar Izidoro
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&id=938545&action=noticiasImpressa§ion=Esportes
